domingo, 24 de janeiro de 2010

Vivo um momento de pápeis invertidos: cuido de meus pais como se fossem meus filhos, fazendo uma espécie de RETRÔ aos anos de minha infância. Interessante que naqueles dias de meu sonho cor de rosa eu não agradecia por quase nada que eles faziam, nem mesmo quando me davam algo que desejava tanto ao ponto de ser considerado "algo especial" (ainda que não o fosse de fato). Eles faziam de tudo para que eu realizasse todos os meus sonhos de menina... E hoje, ele - meu pai - sempre me diz obrigado no final, ainda que seja pelo simples fato de lhe fazer companhia e ouvir velhas histórias tantas vezes ja ouvida com o mesmo interesse de quando era a sua menina...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

RECEITA DA DONA CACILDA - um exemplo a seguir

"Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo o dia  às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.
E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução.
Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, eu dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas de chintz  florido que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma  garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.
- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... espera mais um pouco....
- Isso não tem nada a ver, ela respondeu, Felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que
não funcionam bem... ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.
- Simples assim?
- Nem tanto; isso é para quem tem auto-controle e exigiu de mim um certo "treino" pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.
Calmamente ela continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois me pediu para anotar:
1. Jogue fora todos os números não essenciais para sua  sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.
2. Freqüente, de preferência, seus amigos alegres. Os "baixo-astral" puxam você para baixo.
3. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.
4. Curta coisas simples.
5. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego; ria para você mesma no espelho, ao acordar e que o sorriso seja sua  última 'atitude' antes de dormir.
6. Lágrimas acontecem. Agüente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO enquanto você viver e seja uma boa companhia para si mesmo.
7. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu  refúgio, sua mente seu paraíso.
8. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a da maneira mais simples: caminhe, sorria, beba água, ore, veja comédias, leia piadas ou histórias de aventuras, romances e comédias. Se está abaixo desse nível e não consegue fazer nada por si mesmo, peça ajuda.
9. Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para cidade vizinha, para um país estrangeiro, pega carona numa calda de cometa, imagine os mais diversos objetos formados pelas nuvens no céu, mas evite as  viagens ao passado, pois você pode ficar retido na estação errada. Escolha as lembranças que quer ter; não se deixe dominar por elas ou perderá o direito à escolha.
10. Diga a quem você ama, que você realmente o ama, e diga isso em todas as oportunidades, através do olhar, do toque, das palavras, das ações diárias e do carinho. Seja feliz com seu próprio sentimento e não exija retribuição; você terá, de graça, o que o outro sentir; nada mais, nada menos.

E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:
A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego...de tanto amor... de tanto rir, de surpresa, de êxtase, de felicidade".

sábado, 9 de janeiro de 2010

Ah se fosse assim...

Recebi uma mensagem por email com um texto muito interessante. Esse texto, intitulado "Canção das mulheres" , fala de maneira clara e simples aquilo que "sonhamos" ser o ideal. Claro que sonhos são sonhos e o que vale é apenas o desejo ,talvez impossível, do relacionamento perfeito (a perfeição é utópica). Resolvi então pesquisar sobre a autora, Lya Luft,e descobrinr um universo maravilhoso. Ela mostra que a vida deve ser saboreada nos seus mínimos detalhes. Lya  aborda temas humanos: família, relacionamentos, a atual falta de tempo, velhice, etc:
 A escritora gaúcha não oferece conselhos ou respostas prontas. Ela apenas expressa sua opinião e relata experiências pessoais. Lya vai contra a postura atual de procurar um remédio simples para as mazelas (receita típica do gênero de auto-ajuda) e discute valores morais. Mais do que isso, ela faz pensar.


Canção das mulheres 

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco — em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo "Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: "Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: "Pôxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro — filho, amigo, amante, marido — não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa — uma mulher.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
( Clarice Lispector )

domingo, 3 de janeiro de 2010


Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
(Martha Medeiros)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo

Em 2010...


Vamos agendar, lembrar e "tentar" colocar em prática...

Por pior que seja um problema ou situação, sempre existe uma saída.
É bobagem fugir das dificuldades. Vamos tirar as pedras do caminho para conseguir avançar.
Não vamos perder tempo nos preocupando com fatos que muitas vezes só existem na nossa mente.
Curtir um dia de chuva é muito bom para darmos valor ao Sol, mas se ficarmos expostos muito tempo, o Sol queima.
Heróis não são aqueles que realizam obras notáveis, mas os que fizeram o que foi necessário e assumiram as conseqüências dos seus atos.
Não importa em quantos pedaços nosso coração está partido, o mundo não pára para que nós o consertemos.
Ao invés de ficar esperando alguém nos trazer flores, é melhor plantar um jardim.
Amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de nos fazer felizes. Cabe a nós a tarefa de apostar nos nossos talentos e realizar os nossos sonhos.
O que faz diferença não é o que temos na vida, mas QUEM nós temos. E que boa família são os amigos que escolhemos.
As pessoas mais queridas podem às vezes nos ferir. E talvez não nos amem tanto quanto nós gostaríamos, o que não significa que não amem muito, talvez seja o máximo que conseguem. Isso é o mais importante.
Toda mudança inicia um ciclo de construção, se você não esquecer de deixar a porta aberta.
O tempo é precioso e não volta atrás. Por isso, não vale a pena resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro.
O nosso futuro ainda está por vir.
Então em 2010, devemos descruzar os braços e vencer o medo de partir em busca dos nossos sonhos.